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Educação

Bater para educar torna crianças problemáticas, afirma estudo

06 de abril de 2015

Adicionando mais combustível ao polêmico tema de bater em crianças, dois especialistas canadenses em desenvolvimento infantil publicaram uma nova análise. Segundo eles, o castigo físico implica em riscos graves para o desenvolvimento da criança a longo prazo.
 

No estudo, publicado online anteontem no Canadian Medical Association Journal, os autores analisaram duas décadas de pesquisa e concluíram, "praticamente sem exceção, que esses estudos demonstraram que a punição física foi associada com maiores níveis de agressão contra os pais, irmãos, colegas e cônjuges".

Enquanto estudos mostram que o uso da palmada tem diminuído nos Estados Unidos desde os anos 1970, muitos pais ainda acreditam que a violência é uma forma aceitável de punição. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte realizado em 2010 revelou que quase 80% das crianças em idade pré-escolar nos Estados Unidos apanham dos pais.

"Nosso estudo deve ser usado na orientação aos pais dada por médicos e profissionais sobre o tema", disse o coautor Joan Durrant, psicólogo infantil clínico e professor de Ciências Sociais da família da Universidade de Manitoba, em Winnipeg.

Além de substancial evidência de que as crianças que apanham se tornam mais agressivas, os autores observam que o castigo físico está associado a diversos problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, drogas, depressão e abuso de álcool. Além disso, estudos recentes mostraram que o castigo físico pode alterar partes do cérebro ligadas ao desempenho em testes de QI e aumentar a vulnerabilidade à dependência de drogas ou álcool, segundo os autores.

Muitos pais são céticos quanto aos resultados de pesquisas sobre palmada. Para eles, o uso das palmadas é consequência do comportamento agressivo, e não o contrário. Mas o coautor do estudo diz que os pesquisadores foram capazes de separar as causas.

 

"Crianças mais agressivas tendem a apanhar mais, mas a punição não reduz a agressividade dessas crianças, e sim a agrava", disse Ron Ensom, que trabalhou como assistente social no Hospital Infantil de Ontário, em Ottawa.

"Quando os pais de crianças agressivas aprendem a reduzir o uso da palmada, e realmente o reduzem, o nível de agressividade de seus filhos cai", disse Ensom. "Ao acompanhar crianças com o mesmo nível de agressividade por anos, o estudo observou que aqueles que apanham tendem a ficar mais agressivos ao longo do tempo".

Os autores instaram os médicos a ajudar os pais a aprender métodos não-violentos e eficazes para a disciplina, mas uma psicóloga infantil norte-americana avaliou que faltou ao estudo fornecer exemplos destes métodos.

"Eles fizeram um bom trabalho em analisar toda a investigação, e é sempre bom reforçar a mensagem, especialmente para os médicos mais novos", disse Mary Alvord, psicóloga infantil com consultório particular em Maryland, nos EUA. "Só faltou dar o próximo passo e informar aos médicos métodos para mostrar aos pais o que fazer, em vez de focar tanto no que eles não devem fazer".

"Os pais muitas vezes se sentem impotentes nestas situações. Eles querem que a criança entenda que fez algo errado", disse Alvord. "Então eu não repreendo estes pais, mas tento explicar que há formas mais eficazes de educar".


Fonte: http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/2012-02-08/bater-para-educar-torna-criancas-problematicas-afirma-estudo.html

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