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Educação

Bebês são capazes de aprender muito

29 de outubro de 2014

"Ela não entende nada do que você diz." "Ele só chora." "Bebês não fazem nada sozinhos." Comentários como esses são comuns quando adultos se referem a crianças até 2 anos. A ideia de que são seres dependentes e alheios ao que acontece à sua volta tem norteado o modo como pais e educadores as tratam. Pesquisa do Ibope Inteligência em parceira com o Instituto Paulo Montenegro (IPM), divulgada em 2014, revela que, para 53% dos brasileiros, os pequenos começam a aprender alguma coisa só depois do sexto mês de vida. Quando perguntados sobre o que é mais importante para o desenvolvimento deles, 51% dos entrevistados disseram ser a ida ao pediatra e a vacinação. Receber atenção dos adultos obteve apenas 18% das respostas.

Pouca gente sabe que essa turma, apesar de muito nova, aprende o tempo todo, entende boa parte do que dizemos e faz coisas sozinha. Basta dar oportunidades e desafios.

 

Descobertas de todos os gêneros

Na década de 1940, a pediatra austro-húngara Emmi Pikler (1902-1984) geriu o abrigo Lóczy, em Budapeste, hoje Instituto Emmi Pikler. Para lá, levou observações de quando atuava em uma clínica. Elas diziam muito sobre as competências e as necessidades dos bebês. Emmi notara, por exemplo, que a incidência de fraturas era menor em crianças de bairros operários que nas de famílias ricas - mesmo as primeiras tendo hábitos aparentemente mais perigosos, como correr na rua. O dado a fez pensar que a liberdade de movimento seria um impulso para aprender a melhor maneira de cair. Consequentemente, isso se mostrou uma prevenção mais eficaz do que o controle dos adultos. A médica também concluiu que quando o conforto dos bebês era privilegiado e suas escolhas respeitadas, conseguir a colaboração deles em momentos cotidianos, como o da alimentação, se tornava uma tarefa mais agradável para todos.

Gerir o abrigo deu a Emmi a oportunidade de ampliar as observações e analisar como as vivências infantis aconteciam no dia a dia. Daí em diante, optou por enxergar os bebês que chegavam em Lóczy como pessoas que têm preferências, necessidade de afeto e competências.

A proposta de pensar o bebê como alguém que aprende ativamente e, para tanto, precisa de autonomia e de respeito, tem a ver com o que defendem pensadores caros à Pedagogia. Jean Piaget (1896-1980) já dizia que o indivíduo, chamado de sujeito epistêmico, nasce com a capacidade de estabelecer relações por meio das quais desenvolverá seu conhecimento. É também do cientista suíço a ideia de ser essencial a participação ativa de cada ser humano para que haja aprendizagem. As duas prerrogativas são válidas para qualquer idade, inclusive até 2 anos.

Desde o nascimento, temos intencionalidade e responsabilidade por nossas ações. "Cabe ao adulto criar situações e dar espaço para que os pequenos tenham oportunidades de se expressar", explica Lino de Macedo, professor aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com o docente, para eles, o mundo é uma grande descoberta. Ao nascer, os bebês são apresentados a um universo de formas, texturas e espaços, que deve ser explorado com autonomia.

Os adultos e os colegas de turma fazem parte das novidades a ser desvendadas pelo grupo. O psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934) já entendia a Educação como um processo social e esse, por sua vez, como um processo educativo. Quer dizer que toda interação no ambiente escolar é um ato de ensino - inclusive situações que reforçam o vínculo entre adulto e bebê - e uma vivência para a aprendizagem. Sobre essa questão, o educador francês Henri Wallon (1896-1934) destacou a afetividade como um dos campos funcionais sobre os quais se estrutura a cognição. Assim, com trocas afetivas, a criança é capaz de conhecer o mundo. Mas o fato de que os bebês interagem, aprendem e constroem conhecimentos antes mesmo de falar muitas vezes é ignorado. "Eles precisam ser respeitados como qualquer ser humano, e não serem tratados como bonecos, que só devem estar limpos, cheirosos e bem alimentados", fala Mariana Americano, formadora do Instituto Avisa Lá.


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/creche-pre-escola/bebes-sao-capazes-aprender-muito-desafio-vivencia-797080.shtml

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